domingo, 11 de dezembro de 2011

 


Eu ví uma rosa - Uma rosa branca -
Sozinha no galho. No galho?
Sózinha no jardim, na rua.
Sozinha no mundo.
Em torno no entanto, ao sol de mei-dia,
Toda a natureza e, sombras e cores a sons resplendia
Tudo isso era excesso.
A graça essencial, mistério inefável - Sobrenatural -
Da vida e do mundo estava ali a rosa
Sozinha no galho.
Sozinha no tempo.
Tão pura e modesta, tão perto do chão,
Tão longe na glória da mística altura,
Dir-se-ía que ouvisse do arcanjo
as palavras santas de outra Anunciação.


Manuel Bandeira