terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Hóspede

imagem: Fernando Bagnola


Não precisa bater quando chegares.
Toma a chave de ferro que encontrares
Sobre o pilar, ao lado da cancela.
E abre com ela
A porta baixa, antiga e silenciosa.

Entra, aí tens a poltrona, o livro, a rosa o cântaro de barro.
E o pão de trigo.
O cão amigo pousará nos teus joelhos a cabeça.
Deixa que a noite vagarosa desça.
Cheiram a relva e sol, na arca e nos quartos, os linhos fartos.
E cheira a lar o azeite da candeia.

Dorme. Sonha. Desperta.
Da colméia nasce a manhã de mel contra a janela.
Fecha a cancela e vai.
Há sol nos frutos dos pomares.
Não olhes para trás quando tomares o caminho sonâmbulo que desce.
Caminha e esquece.


Guilherme de Almeida