domingo, 11 de dezembro de 2011

Jesus


De sua personalidade, extraordinária de beleza simples, vinha um "não sei quê", dominando a turba que se aquietava, de leve, ouvindo-lhe as promessas de um eterno reinado... Seus cabelos esvoaçavam às brisas da tarde mansa, como se fossem fios de luz desconhecida nas claridades serenas do crepúsculo; e de seus olhos compassivos parecia nascer uma onda de piedade e comiseração infinitas. Descalço e pobre, notava-se-lhe a limpeza da túnica, cuja brancura se casava à leveza dos seus traços delicados. Sua palavra era como um cântico de esperança para todos os sofredores do mundo, suspenso entre o céu e a terra, renovando os pensamentos de quantos o escutavam... Falava de nossas grandezas e conquistas como se fossem coisas bem miseráveis, fazia amargas afirmativas acerca das obras monumentais de Herodes, em Sebasto, asseverando que acima de César está um Deus Todo-Poderoso, providência de todos os desesperados e de todos os aflitos... No seu ensinamento de humildade e amor, considera todos os homens como irmãos bem-amados, filhos desse Pai de misericórdia e justiça, que nós não conhecemos...

Francisco Cândido Xavier,  Há Dois Mil Anos