domingo, 11 de dezembro de 2011

Jogo



Abro a caixa do inverno. Tiro os ventos,
as rajadas de chuva, os bancos de neve de onde
fugiram todos os pássaros. Desenrolo à minha
frente os pântanos do inverno. Ando à volta
deles para desentorpecer as pernas; sacudo
o frio das mãos; limpo a chuva que se me colou
aos cabelos. Depois, volto a lançar os dados-
e avanço até a primavera.


Nuno Júdice