segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Mulher formosa olhada à distânica

imagem: Joanna Kustra 


Serão, pois pensamento, os tristes olhos da mulher que eu amei por um segundo?
E não por ingenuidade seria a irmã mais velha da lua que já possuí
alguma que outra vez, como sempre com a torpeza da casualidade; seu espelho.
Aquele que tantas vezes se pergunta que demos fazes tu ai, interrompendo,
interpretando a desoras as horas do mundo.
Será o meu pensamento que sonha um corpo perfeito, e não repara
porque nunca tampouco reparamos, nas inúmeras dificuldades,
que estão ai a volta e formam o impedimento.
Será que a paixão cega ao homem que reparte bondades pelas ruas além, tiradas a volta,
antes dela, muito antes dela na tarde esquecer-lhe os deveres, zunir-lhe a paciência
só para respirar, ao longe, aquele sinuoso perfume de fêmea voraz
tão distante tão impossível, que é simples invento nosso
e por cima nos encoraja a embrenhar num profundo, escuro mar,
onde a luz sempre depende de aquela penúltima paisagem: ela olhando a lua nossa.
Ela que domina e tu nunca sabes, aonde pode seu engenho conduzir
no país dos surdos, do outro lado do quarto minguante, nas caras sempre ocultas.
Será o pensamento, a sentir-se já na sua magia escravo
ou simplesmente o nosso próprio ego estúpido, que orgulhoso nos prepara
à derrota mais completa e iminente, nessa batalha que nunca poderemos ganhar
por que o amor que perdura é para o débil um impossível
Mesmo antes de ser dela, já fomos vitimas do nosso infinito desejo:
ficamos admirando a mais profunda das belezas. Sempre, a ela, nos rendemos.
Serão, pois seus tristes olhos ou o medo a ruir, instintos que dela me afastam,
me matam por dentro, me impelem, ir na sua procura e
perder-me… Perder-me com ela por sempre.

Artur Alonso Novelhe