segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

imagem: adolfo valente

Why is my verse so barren of new pride
so far from variation or quick change?
why with the time do I not glance aside
to new-found methods and to compounds strange?
Why write I still all one, ever the same,
and keep invention in a noted weed,
that every word doth almost tell my name
showing their birth and where they did proceed?
Oh know, sweet love, I always write of you,
and you and love are still my argument;
so all my best is dressing old words new,
spending again what is already spent.
For as the sun is daily new and old,
So is my love still telling what is told


William Shakespeare

***

Por que meu verso é sempre tão carente
de mutações e variação de temas?
Por que não olho as coisas do presente
atrás de outras receitas e sistemas?
Por que só escrevo essa monotonia
tão incapaz de produzir inventos
que cada verso quase denuncia
meu nome e seu lugar de nascimento?
Pois saiba, amor, só escrevo a seu respeito
e sobre o amor, são meus únicos temas.
E assim vou refazendo o que foi feito,
reinventando as palavras do poema.
Como o sol, novo e velho a cada dia,
O meu amor rediz o que dizia.

trad. Geraldo Carneiro