quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

All the world's a stage



All the world's a stage,
And all the men and women merely players:
They have their exits and their entrances;
And one man in his time plays many parts,
His acts being seven ages. At first the infant,
Mewling and puking in the nurse's arms.
And then the whining school-boy, with his satchel
And shining morning face, creeping like snail
Unwillingly to school. And then the lover,
Sighing like furnace, with a woeful ballad
Made to his mistress' eyebrow. Then a soldier,
Full of strange oaths and bearded like the pard,
Jealous in honour, sudden and quick in quarrel,
Seeking the bubble reputation
Even in the cannon's mouth. And then the justice,
In fair round belly with good capon lined,
With eyes severe and beard of formal cut,
Full of wise saws and modern instances;
And so he plays his part. The sixth age shifts
Into the lean and slipper'd pantaloon,
With spectacles on nose and pouch on side,
His youthful hose, well saved, a world too wide
For his shrunk shank; and his big manly voice,
Turning again toward childish treble, pipes
And whistles in his sound. Last scene of all,
That ends this strange eventful history,
Is second childishness and mere oblivion,
Sans teeth, sans eyes, sans taste, sans everything.

William Shakespeare
imagens: fernando bagnela

O mundo é um palco,
E todos os homens e mulheres são meros atores:
Têm suas saídas e suas entradas;
No princípio, apenas uma criança
Miando, vomitando nos braços de uma babá.
Depois, vem o escolar, com a sua pasta, reclamando aos gritos,
Com o rosto fresco da manhã, se arrastando qual lesma,
Desgostoso de ir para a escola.
Mais tarde, surge o amante,
Suspirando que nem uma fornalha, compondo tristes baladas
Às sobrancelhas de sua amada.
Tempos depois, vem um soldado
Cheio de estranhos juramentos, peludo como um leopardo
Zeloso de sua honra, pronto e rápido para uma briga,
Na procura de vã notoriedade
Mesmo diante da boca de um canhão.
Passa o tempo. Agora, é a vez dos sentimentos de justiça
Mas de barriga cheia de suculento capão forrada
Com olhar sisudo, barba de corte conservador,
Dono de sábios conselhos e de exemplos atuais:
Dessa forma, cumpre seu papel.
Na sexta idade, se enfia em calças e em chinelas simples
Agora, usa óculos, bolsa de lado;
Num mundo muito vasto, as meias juvenis, bem conservadas,
Não são de mais valia paras para suas pernas agora finas.
Sua voz viril e portentosa
Volta aos sons agudos de criança, agora pia, vira assobio.
Última cena de um desfecho de uma estranha e episódica história:
Volta a ser criança. Vai-se a antiga memória saudável:
Sem dentes, sem visão, sem paladar, sem nada.