segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Poeta do amor e liberdade

O teu poema:
É o grito rasgado que guardas no peito
É o eco lançado no abraço perfeito
Com que enlaças a vida no mar do desejo
De seres marinheiro da palavra viva
Que soltas no olhar…

O teu poema:
É ternura cansada que banhas em esperança
Na dor extenuada que aguarda a mudança
No rio do silêncio que clama, na foz
Do desassossego, que ergues na voz
Aguardando confiança…
Em cais de firmeza.

O teu poema:
É o fio de lua nas tuas mãos de criança
O brilho dourado da estrela que dança
O rumor timbrado da harpa escondida
Que na melodia suave te envolve de vida

Porque o teu poema, mesmo sem ser escrito
Está no teu olhar, na tua vontade
Na tua ternura, que pinta a beleza
Duma alma nobre, onde há liberdade
De ser poesia em cada momento
Lutando e crescendo contra o desalento.

E porque és poeta, do amor e da paz
Onde a liberdade passeia acordada,
Mesmo sem “escreveres” palavras na tela
Num papel visível, num ecrã mostrado,
Está no teu olhar o poema vivo
Nessa poesia, que guardas magoado.
Serás sempre Poeta: Tu foste fadado!


Dalila Moura Baião
imagens: stas gordienko