sexta-feira, 4 de maio de 2012

Elm / Olmo

imagem: adolfo valente


To Ruth Fainlight

I know the bottom, she says. I know it with my great tap root:
It is what you fear.
I do not fear it: I have been there.
Is it the sea you hear in me,
Its dissatisfactions?
Or the voice of nothing, that was you madness?
Love is a shadow.
How you lie and cry after it.
Listen: these are its hooves: it has gone off, like a horse.
All night I shall gallop thus, impetuously,
Till your head is a stone, your pillow a little turf,
Echoing, echoing.
Or shall I bring you the sound of poisons?
This is rain now, the big hush.
And this is the fruit of it: tin-white, like arsenic.
I have suffered the atrocity of sunsets.
Scorched to the root
My red filaments burn and stand, a hand of wires.
Now I break up in pieces that fly about like clubs.
A wind of such violence
Will tolerate no bystanding: I must shriek.
The moon, also, is merciless: she would drag me
Cruelly, being barren.
Her radiance scathes me. Or perhaps I have caught her.
I let her go. I let her go
Diminished and flat, as after radical surgery.
How your bad dreams possess and endow me.
I am inhabited by a cry.
Nightly it flaps out
Looking, with its hooks, for something to love.
I am terrified by this dark thing
That sleeps in me;
All day I feel its soft, feathery turnings, its malignity.
Clouds pass and disperse.
Are those the faces of love, those pale irretrievables?
Is it for such I agitate my heart?
I am incapable of more knowledge.
What is this, this face
So murderous in its strangle of branches?_
Its snaky acids hiss.
It petrifies the will. These are the isolate, slow faults
That kill, that kill, that kill.


*****

Para Ruth Fainlight

Conheço o fundo, diz ela. Conheço-o com minha raiz mestra:
É o que temes.
Não o temo: eu estive lá.
É o mar que ouves em mim,
Suas insatisfações?
Ou a voz do nada, era essa tua loucura?
O amor é uma sombra.
Como mentes e choras em seu encalço
Escuta: são seus cascos: disparou, como cavalo.
Toda a noite devo assim galopar
Até fazer de tua cabeça rocha, de teu travesseiro gramado,
Ecoando, ecoando.
Ou devo te trazer o som dos venenos?
Agora é chuva, este grande silêncio
E seu fruto: branco-metálico, como arsênico.
Sofri a atrocidade dos poentes.
Escorchada até a raiz.
Meus fios rubros queimam e eriçam, mão de arame.
Agora me desfaço em pedaços que voam como tacos.
Vento assim violento
Não tolerará nada ao redor: preciso gritar.
A lua, também, é impiedosa: ela me arrastaria
Cruelmente, já que é estéril.
Sua radiância me corrói. Ou quem sabe a peguei.
Deixo que se vá. Deixo que se vá.
Diminuída e chata, como após cirurgia radical.
Como seus pesadelos me possuem e me dotam.
Sou habitada por um grito.
Quando é noite ele se agita
Procurando, com suas garras, por algo para amar.
Tenho pavor dessa coisa escura
Que dorme em mim;
Todo o dia sinto seu retorcer emplumado, sua índole ruim.
Nuvens passam e se dispersam.
São essas as faces do amor, pálidas irremediáveis?
É por tanto que agito meu coração?
Sou incapaz de saber mais.
O que é isto, esta face
Tão criminosa em seu sufocar de galhos?
Teus ácidos ofídicos silvam.
Petrificam a vontade. São essas falhas lentas, isoladas
Que matam, matam, matam.



Sylvia Plath
Tradução: Marina Della Valle