quinta-feira, 10 de maio de 2012

imagem: Diana-Melnikova



Passa a saudade do que foi e é morto.
Passa a glória que eu quis e me fugiu.
Passam as próprias visões do mundo e a vida,
E é sonho quanto tive em minhas mãos.

Passam as flores nascidas mais perfeitas.
Passam a beleza, e a dor, passam tormentos.
Passa essa angústia diante do eterno nada.
Que não passa, Senhor, todo momento?

De incerteza em incerteza, a vida corre,
E nos mudamos nós, de instantes em instantes.
O que foi, ele próprio, sofre, muda.

Só não passa este amor tão passageiro.
Só não muda este amor que é tão mudável.
Só este amor incerto é certo em mim.


Augusto Frederico Schmidt