sexta-feira, 8 de junho de 2012

E só então


gary kapluggin


E só então saí das minhas trevas:
Abri as minhas mãos como folhagens,
Intacta a luz brotava das paisagens,
Mas minhas mãos queimaram-se e morriam.

Dia perfeito, inteiro e luminoso,
Dia presente como a morte, luz
Trespassando os meus olhos de cegueira.
Cada cor, cada gesto, cada imagem
Na exaltação do sol consumia.


Sophia de Mello Breyner Andresen