domingo, 29 de julho de 2012

Inconfidentes





Toda vez que um justo grita,
Um carrasco vem calar.
Quem não presta fica vivo
Quem é bom mandam matar.
Foi trabalhar para todos
E vejam o que lhe acontece:
Daqueles a quem servia,
Já nem um mais o conhece.
Quando a desgraça é profunda,
Que amigo se compadece?
Foi trabalhar para todos
Mas por ele quem trabalha?
Tombado fica seu corpo
Nesta esquisita batalha.
Suas ações e seu nome,
Por onde a glória os espalha?
Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Que reformava este mundo
De cima da montaria.
Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Ele na frente falava
E atrás a sorte corria.
Por aqui passava um homem
(e como o povo se ria!)
Liberdade, ainda que tarde,
Nos prometia.


Cecília Meireles