terça-feira, 21 de agosto de 2012

Madrigal




Quem quer que sejas, vem a mim apenas
De noite, quando as rosas adormecem!
Vem quando a treva alonga as mãos morenas
E quando as árvores de voar se esquecem.
Vem a mim quando, até nos pesadelos,
O amor tenha a beleza da mentira.
Vem quando o vento acorda os meus cabelos,
Como em folhagem que, ávida, respira…
Vem como a sombra, quando a estrada é nua,
Nem risco de asa, vem, serenamente!
Como as estrelas, quando não há Lua
Ou como os peixes, quando não há gente…


Pedro Homem de Mello