sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Ar / Fogo / Terra / Balanço


Ar

É da liberdade destes ventos
que me faço.
Pássaro-meu corpo
(máquina de viver),
bebe o mel feroz do ar
nunca o sossego.


Fogo


Dar-me toda este verão
urdideiros de rio, é ser
serpente de prata. Verão,
foi feita mais uma vítima
Sou um ser marcado, natureza.
A tarde crava em meu magma
o selo de sua secreta pata.


Terra


em golfadas envolve-me toda, 
apagando as marcas individuais,

devora-me até que eu 
não respire mais.


Balanço


Olho teu rosto como imagem
parada um instante
refletida no profundo fundo
de um poço.
E da memória
não me interessa mais que isto


Olga Savary