sexta-feira, 14 de setembro de 2012



mas afinal, o que é a vida?
um manso lago azul, sereno, sem espumas?
ou a quinta roda de um destino oculto?
uma queda sem fim?
ou um rio que nasce na pureza da neve no alto da montanha?
sei, aqui não há neve, mas a imagem é boa, não convém perdê-la: um rio, descendo sereno em direção ao mar, cantando nas pedras... irisado pelos raios do sol, nunca parado em seu fluxo eterno.
rio?
ou a vida é por terra, uma estrada verdejante, alcatifada de flores?
ou ainda, como é mais o meu caso, ainda uma estrada, mas estreita, guardas, malfeitores propriamente ditos. Por trás de cada curva, dissabores e angústias.
bem, mas não há porque ser pessimista: sempre se pode encontrar um carro que acabou de capotar e, como os donos estão mortos, roubar o rádio e continuar a viagem ouvindo uma bela canção onde se fala de paz e amor.


Millôr Fernandes