domingo, 13 de janeiro de 2013

A valsa sem memória

Saharoza



1.

A perfeição reside nos tumultos, nos
escombros, nas sinopses
de um homem — 
                  perdoai,
amigos, estas diatribes:
a voz não diz o que desejo, é escasso
o raciocínio, não há livros
com os ensinamentos e os conselhos —
   perdoai,
amigos, meu linguajar de símbolos
tão velados

2.

            :bailarinos inábeis
executando seus primeiros passos
num palco gigantesco (sem
   bordas)
   sem aplausos —
sós nós e uma valsa
sem memória
a ecoar (a ecoar a ecoar) por toda parte

e não há tempo para temer
e não há tempo para chorar:
   a        Valsa
não tem perdões, obriga-nos a valseá-la
   a        Valsa
não sabe nomes, envolve-nos nos braços
   a        Valsa
ela mesma não se chama Valsa —
perdoai, amigos, falar-vos nesta linguagem
há algo em mim que quer brotar com força:
            talvez um simples poema
            talvez (perdoai) apenas
esta vontade, imensa, de falar.

                                  
Antonio Brasileiro