quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Laszlo Gulyas


Dorme enquanto eu velo... 
Deixa-me sonhar... 
Nada em mim é risonho. 
Quero-te para sonho, 
Não para te amar.  
A tua carne calma 
É fria em meu querer. 
Os meus desejos são cansaços. 
Nem quero ter nos braços 
Meu sonho do teu ser.  
Dorme, dorme. dorme, 
Vaga em teu sorrir... 
Sonho-te tão atento 
Que o sonho é encantamento 
E eu sonho sem sentir.  


Fernando Pessoa