segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O oleiro

Jean-Pierre Leclercq



Todo teu corpo tem
taça ou doçura destinada a mim.

Quando levanto a mão
encontro em cada ponto uma paloma
que me buscava, como
se tu fosses, amor, feita de argila
só para as minhas mãos de ceramista.

Teus joelhos, teus seios,
tua cintura,
me fazem falta como no vão
de uma terra sedenta
da qual foi desprendida
uma forma,
e juntos
somos completos como um rio único,
como uma única areia.



(Pablo Neruda - tradução de Thiago de Mello)