segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Testamento do Homem Sensato



Quando eu morrer, não faças disparates 
nem fiques a pensar: “Ele era assim...”
Mas senta-te num banco de jardim, 
calmamente comendo chocolates. 

Aceita o que te deixo, o quase nada 
destas palavras que te digo aqui: 
Foi mais que longa a vida que eu vivi, 
para ser em lembranças prolongada. 

Porém, se um dia, só, na tarde em queda, 
surgir uma lembrança desgarrada, 
ave que nasce e em vôo se arremeda, 

deixa-a pousar em teu silêncio, leve 
como se apenas fosse imaginada, 
como uma luz, mais que distante, breve. 


Carlos Pena Filho