quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Viagem marítima


© Saharoza



Havia um caminho mais limpo para
dentro da manhã. Os sonhos rebentavam
numa auréola de espumas. A noite resolvia-se
na maré de pálpebras que subia pelas
dunas de um corpo. A luz manchava
de branco as sombras.

Um coração batia sob o pulso
do verso. Que temporais amainava
com o leme do canto?

Há horas em que o céu
e a terra se confundem. Podemos
tocar as nuvens; e o chão abre-se
num campo de estrelas. A tua mão
puxa-me para esse limite. Viajo
até ele no barco da tua voz.


Nuno Júdice