terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Vozes abafadas

Dimitar Voinov



O ruído vem de longe e quase não se escuta.
Passa no ar ou ruge dentro de nossos ouvidos?
Vem do centro da terra ou do terror das consciências?

São crianças chorando com medo da vida?
Soluços de mães que ignoram as causas?
Gritos alucinados de homens caídos sob as rodas do carro terrível?
São os últimos brados das pátrias esfaceladas,
Os uivos do vento nas bandeiras das nações vencidas,
Ou no ventre do caos os vagidos do mundo futuro?

Cala, poesia,
A dor dos homens não se pode exprimir em  nenhuma língua.
Talvez a exprimisse o ai da cabeça separada do corpo que rola ensanguentada,
Talvez a escrevesse a mão hirta que no último gesto de horror largou a espada,
Talvez a dissesse o grito sufocado, o pranto que  salta, o suor frio, o olhar esbugalhado...
Ante o ricto dos mortos compreendo que a dor não se exprime
Em língua nenhuma e ainda que os homens falassem todos uma só língua.


Dante Milano